Sunday, September 1, 2013

O lado negro do Sol

Sinto a inutilidade fluir em mim,
Como sangue arterial que flui a essência da vida pelo corpo...

Sinto-a a fervilhar de emoção...
Sem noção...


Sinto a hesitação como irmã,
Estagnando toda e qualquer vontade e decisão ansiosa...
Sinto-a pelo corpo ardente...
Minha amada parente...

Sinto a frustração como espelho,
Reflectindo todos os erros, pecados e corrosões na minha cara...
Sinto-a como estrutura e ornamento de mim...
Como art nouveaux...

São fases, dizem eles
São eras, 
São momentos,
São efemeridades da vida

Não... digo eu
São vírus,
São parasitas,
Tornando-me seu hospitaleiro anfitrião,
E com eles, também eu próprio parasita...

Cravados em mim como pregos
Penetrando fundo na minha etérea forma de existir
Destilando o fel que transforma e amorfa a minha compleição
Envenenando-me lentamente e deixando-me moribundo no mundo dos vivos
Com abafado e pesado pensar sem certeza de que ainda permaneço vivo como eles


神龍、1日8月2013年

Wednesday, August 14, 2013

音楽のシュールレアリズム

(Ongaku no SHUURUREARISMU)
(Musical surrealism)


fingers crossed,
a web of strings,
a world,
tickling the nerves...

consuming emotions that flow,
and crush into a thousand pieces,
and vanish into the invisible part of reality...

plucking and vibrating,
the pulsating organ lives in me
and is revealed...

growing and shooting out everything
that cannot be kept inside...

the instrument,
the magnet,
the repelent,
the being,
the non-existing sense of it all...


神龍、14日8月2013年

Monday, July 22, 2013

Tick tock...

Leio e releio todo o meu latim cravado em papel...
Pego nas últimas palavras inúteis e fugidias que me ocorrem e prevejo erros do passado...
Prosas saturadas de lamechismo e pseudo-poesias fingindo ser algo de relevante...
Arrogância disfarçada de eloquência para mostrar algo que não sou...

Revejo-me e o que consigo reter é a imagem estampada de um perfeito idiota,
Ainda meio perdido no seu inconsciente adolescente,
À procura de nexo num mundo onde não existe...
Dizendo sentir pena de si próprio e com vãs esperanças,
Expressando-as continua e inutilmente...

E aqui... como que um exemplar, redijo e demonstro de mim
Um algo que me é comum nesta tamanha macacada...

Multiplamente esbofeteado...
Palerma masoquista
Que teima em não ficar atento...

Uma bomba-relógio de um sentimento que, quando surge, lhe explode nas mãos,
Sem mas, nem porquês...
Uma quimera adorável que afasta tudo e todos com o seu beijo de fel...
Com suas palavras que, apesar de doces, quando pronunciadas são de um som estridente,
Rebentando com tímpanos de seres irracionais que racionalizam demasiado o coração...
E assim em mim nasce a solidão...


Didacus, 22日7月2013年

Saturday, July 13, 2013

Cloistered in an orb

Silence is a keeper,
An orb that absorbs

The sound all around...

The sounds of the day...
The birds, the cars, people...
The rumbling and mumbling...

All oppressed and stressed,
All compact in an act
Of pure closure of the sound...

The screeching echoes unheard
From reflections of the present,
Inhaling no air whatsoever...

Silence is a strength,
A valued virtue,
A treasured ally,

Yet a deadly weapon,
A pure shield...
A dome, a world, a haven

An orb of serene void
That slaughters the living...
The ethereal sign of life

Remaining sealed inside...

The orb that absorbs
The sound all around...


神龍、13日7月2013年

Sunday, June 16, 2013

Sagittarius III

Let forth his divinity,
The voyager, the seeker...

The sage, the shaman,
The healer who cannot heal himself...

The tumbler on the tables...
Spreading, aggrandizing horizons only with his eyes,
Proliferating the seeds of one self expansion of the being,
Transcending limits imposed by nature itself...



Let forth the lover,
The loved, his passions...

The light, the dark,
The hated and envied...

The bright side of the moon,
Revealing the dark one of the sun...
The raging affection for the world's beings,
Unwittingly persuading their minds, aforethought seducer...



Let forth the loner,
The wanderer, the philosopher...

The wondered, the admirer,
The one that loves and forgets everything...

The unfaithful arrogant-like prick,
The most loyal lover who kills loyalty with love itself...
The teacher who gives death as a weapon
Just to be murdered with it by the hands of his pupil...



Let forth the living Optimism!
Let forth the arrow-pointing mind!
The unsatisfied fighter,
Who fights for Life!


神龍、16日6月2013年

Wednesday, May 29, 2013

サヨナラ、mon amour

(SAYONARA, mon amour)
(Goodbye, mon amour)


Apesar de o ser
Apesar de o estar
Eu consigo (finalmente) sentir-me livre

Livre de ti
Solto, desamarrado
Sem quaisquer réstias de ligação

(consigo) Ter-me a olhar p'ra ti
Observar cada detalhe
E nenhum sentimento me titilar por dentro

Sem sombra de dúvida
Sem reticência
O meu bom latim não mais será p'ra ti

Agora vejo-te como relíquia de museu
Uma personagem de livro que ousei ler
Uma criança que teve o atrevimento de me ter como brinquedo
Um pequeno deus para me dominar apenas pelo pensamento
Alguém que me teve na mão e me deixou voar
Na sua mais ignara inocência
Perdendo assim, sem mais modéstias que também me amo,
O melhor ser que poderia ter encontrado
O ser perfeito para amenizar seu estado débil
O ser mais justo para consigo mesmo e com os seus

Foste-me importante
Perdeste significância
Toda ela levada pelo vento e pelo tempo

Amei-te sim
Odiei-te sim
E por fim, de longe admiro-te

Como boa lembrança
Findada prematuramente
Que finalmente mantém suas ilusões cravadas no passado

E este não mais me atormenta
Apenas o futuro incerto, mas...
Para esse estou completamente solto e livre para me "libertinar"


神龍、29日5月2013年


Monday, April 15, 2013

Dull me...


O acto de esquecer involuntariamente ditos e afazeres torna-me túmulo de segredos
O acto de reter inconscientemente memórias inúteis torna-me simplesmente estúpido

That's why I love my brain
That's why I hate my heart


神龍、15日4月2013年

Friday, April 12, 2013

Fé literal


Anseio pelo dia em que as palavras ganhem forma
Anseio pelo significado visível e real das mesmas
Que cada letra cumpra a sua função
Que cada sílaba ecoe a harmonia do nexo
E que o mesmo cante para mim

Rezo que todo o verbo seja manuseado para um bem comum
Para que toda a oração seja digna de existir nas bocas de quem a profere
E que essas mesmas bocas sejam dignas de a proferir

Vãos desejos de quem prefere a beleza da compreensão
Tentando em vão ignorar a existência dos limitados



神龍、12日4月2013年

Outrora escravo... Hoje libertino!

Razão, oh magna razão!
Teu ceptro não mais cai sobre minha testa
Tua punição severa tornou-se saturada
Assim como o limite da minha paciência e submissão

Agora quem reina é o «Chaos» e sua música
Sua melodia que me lambe os sentidos
Que torna erógena toda a porção da minha alma
E as palavras...
Que sejam agora elas suas servas
Que a mecanicidade deste mundo que tão bem manipulas
Se aniquile perante ignaras gentes
E que dos libertinos viva a prosperidade do delicioso «Chaos»


Didacus、12日4月2013年

Saturday, March 30, 2013

Memória sacana

Não sei que dia será hoje...
Que fiz eu
Ou o que aconteceu?

Perdi noção das horas?
Devo dormir?
O corpo começa a pedir

Estou atordoado
Ainda acordado
Regresso ao passado

Estas memórias que teimam em existir
Sem permissão, impedem-me de sorrir
Fico apático

Por dentro
Sem alento
Sorriso amarelo,
Como se fosse feliz,
Como se fosse gentil,
Como se fosse humano,
Como se fosse autónomo...

Estou acordado,
Atordoado
Por memórias
Que insistem,
Que me matam...
Sem defesas,
Sem vontade,
Sem vida,
Pelo menos a que dá intensidade ao que deveria sentir como viver

Minhas palavras soltas no vento
Que não mas traz de volta,
Nem tão pouco a ti...
Só me dá revolta,
Só me traz desconforto,
Mais não seja no silêncio da noite
Que me deixa a divagar...
A vaguear no passado,
Sozinho,
Amargurado
Por não deixar de amar
Quem queria que um dia me tivesse amado
De verdade...


神龍、30日3月2013年