Tuesday, September 11, 2007

Apenas o sono 2

(alma orientada/ marioneta da senhora das mil mãos)


Vou andando…
indo por aqui e por ali…

Tento bater as asas de novo, mas nada de nada…
Como se as tivesse perdido de um dia para o outro, sem que elas tivessem sequer saído das minhas costas…

Bato com o pé no chão furiosamente, mas acalmo-me e prossigo meu passeio vadio…
Vagabundeando…
Sigo sem olhar para trás…
Mãos seguram minhas roupas e vão me puxando com as suas forças,… tento resistir, tento fugir, mas sou coberto por mil palmas em conjunto, mil pulsos firmes, mil forças do mesmo ser…

Tento de novo bater as asas, mas, como marioneta, estou preso por fios, limitado a movimentos que não me pertencem,… dedos tacteiam o ar, mãos de outros seres, e os fios traçam-me acções que nunca quis cometer…

Procuro forças em meus membros para me poder libertar destas finas amarras que no fundo não quero partir para não causar danos, mas… há utopias que devem ser concretizadas…

Vou adormecendo e deixando-me levar…

Esqueci o vaguear do meu corpo pelas ruas e da mente pelo espaço…
Tento manter-me dormente para não sentir nada do que me levam a fazer…
É uma vida um tanto ou quanto patética, mas que fazer…
É complicado deitar por terra um edifício que apesar de ter estrutura defeituosa, consegue manter-se de pé contra todas as adversidades…
Julgamos fácil,…
Destruir, construir…
Destruir, construir…
Desenvolver, aperfeiçoar…
Nada!
Nada é assim!

Não se pode mexer no que já foi mexido com o intuito se mudar quando já se modificou…
A insistência, a persistência…
Mais alguns fios vão se colando a mim…
Mais acções e reacções não minhas, mas sim sobre mim…
Corpo dormente e manipulado, mas sóbrio e consciente para ter noção de tudo o que acontece e faz acontecer… embora seja o que menos se deseja…

Já nem penso em libertar-me, visto não conseguir, apenas espero até se cansarem ou fartarem ou simplesmente julgarem que me têm como certo…

Tenho medo…
Tenho…
Não, espera, eu não tenho nada…
São os seres dos fios que possuem tudo o que era meu… É o ser das mil palmas que tudo toma, não como seu, mas de sua guarda…

Não sei mais que esperar…
Fico cada vez mais dormente e as poucas forças que me restavam, usei-as para adormecer tudo em mim…
Já não consigo pensar…
Não sou mais do que peso morto…
Não sou mais do que uma marioneta sem vida…
Não sou mais nada…

Sentia-me alienado, sentia-me envergonhado, sentia-me perseguido, sentia-me desconfiado, sentia-me insultado, sentia-me violado…
Agora que cada uma dessas fases passou já não consigo sentir que estou morto ou que sou mexido e remexido por outros…

Dormência, sonolência…
No apogeu da minha era…
Morte precoce, não física…
No apogeu da minha era…

Nem a minha senhora da noite me conforta mais…
Nem os lençóis de brisas ou rodopios e danças do vento intenso me animam ou contentam…
Nada…
Nada de nada…
Entro no reino do nada…
Apesar de nunca ter saído do meu mundo…

E adormeço…
por fim…


神亀、27日8月2007年

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