Monday, April 30, 2007

Coriskus 2

Sublinhando um tracejado e um traçado que tracei
Fico quieto enquanto traço pensamentos sem fim
Finalizando tais traçadas ideias que pensei
Estupefactos ficam traçando estranhos olhares até mim
Meus colegas de perfil por traçar
E sem porquê nem porque não, continuo a tracejar
Uma obra cheia de traços e traçadas
Não representando pilares nem arcadas
E as pessoas com caras de enjoadas
Que miram e miram, dão vontade de espancar
Com plano definido e bem traçado
Sinto traçarem com os dedos um caminho
Com olhar de malícia bem armado
Sinto uma brisa, um respirar, um ventinho
Um momento estranho de cravar e recordar
Traçando dúvidas que evitam o raciocinar
Com traços firmes e definidos
De uma incerta certeza insegura
E no fim traçou-se um sorriso, um beijo
Pois a malícia era máscara de planos
Traçados pelo meigo e gentil Carinho
E representados ficam os traços e rabiscos
De minha surpresa e afeição
Com o carinho que dei ao Carinho de coração
Terminando por fim todos os meus riscos

Didacus, ?? de Janeiro(?) 2007


Nota:
Foi terminado no dia 30 de Abril 2007

Coriskus

Traço um traço
Para traçar a minha vida já traçada…
E o tempo vai traçando os seus traços enquanto passa…
Traço e traço e traço
E nenhum dos traços traça o que eu quero traçar
E continuo a traçar até conseguir que os traços que traço tracem alguma coisa…
Enfim, só traços…
Até que me deparo com as minhas palavras-pensamento traçadas sobre traços…
Enfim, traços…

Didacus, ?? de Janeiro(?) 2007

O Espelho do Céu

Azul…
Céu azul…
De tons infinitos, cobrindo um mundo que não merece tal perfeição
Mundo celeste, afastado de toda a impureza e maldade
Pensamentos, injurias, louvores a um espaço que nunca será nosso
Estrelas…
Dons cintilantes…
Faróis do espaço universal que iluminam a escuridão num tilintar magno
Soldados da noite, musas inspiradoras dos pecadores sonhadores
Seres unificados em constelações a que dão significados e simbolismos
Num mundo de ódio e esperança, ansiamos por tudo, obtendo tudo e sentindo que nada nos pertence numa filosófica catástrofe que só colapsa o nosso mundo irreal quando a altura em que o destino nos escreveu finalmente chega…
E se não houvesse sol? E se o nosso soldado da noite, o criador da luz e conceito de dia nunca tivesse existido? Não haveria mais sonhos, mais fantasias, mais ódio ou esperança… não haveria mais nada…
Por muito sol que tenhamos dentro de nós, não somos o suficiente para ofuscar a escuridão do mundo da noite universal que sempre e para sempre permanecerá e aumentará… Nunca seremos mais do que pequenos, microscópicos seres num universo de pedras e luzes que dançam para passarem o seu tempo, unindo-se em choques fenomenais, destruindo-se em amassos colossais… Talvez a curiosidade de conhecer o desconhecido seja maior que tudo, talvez venhamos a ser maior que o que quer que seja… talvez…
A evolução e o tempo correm a olhos vistos levando tudo à sua frente…
Para um momento incerto…
Somos pequenos, com ideias e sonhos gigantes… somos pequenos, com egos e infra-egos gigantes… somos pequenos, grandes de estatura para uns, grandes de carácter para outros, grandes em talento, grandes em inteligência, grandes em personalidade, fama, dinheiro, sucesso, fracasso, somos sempre grandes, mas seremos sempre pequenos…
Negro…
Manto negro…
De tons definidos, cobre-nos o manto negro da noite
Com ou sem os faróis da noite, este irá sempre envolver-nos
Mãos frias, gelando corações e quebrando emoções vividas
para sempre esquecidas…
na noite…

Didacus, ?? de ?? 2006(?)

Wednesday, April 25, 2007

DaVinci is a hippie freak!

Numa tranquilidade extrema
Em inovações em esquema
Renasce a evolução sem problema
Fluindo como acqua num tema
Que jamais será cantado
Ou apagado…

Numa realidade tirana
Em horas de apatia mundana
Renasce a loucura leviana
Fluindo a quase perfeição humana
Uma genialidade chocante
E interessante…

Sensibilidade e carinho
Com lógica e razão
Uma viagem ao futuro soberba
Numa era de temida escuridão
Surgindo a luz da paixão
Que renasce…

Ondas de paz e amor
De loucura extra-sensorial
Como um humano consegue
Inteligência e perfeição tal
Arquitecto, matemático, artista
Génio do bem e do mal…

Estranho, bizarro, interessante
Um autêntico alienígena
Com intelecto ordinário
Totalmente extraordinário
Beleza do mais reles
Beleza do mais que perfeito…

Didacus, 25 de Abril 2007

Thursday, April 19, 2007

大きい神、小さい人

Ookii Kami, chiisai hito
(O Grande Deus, o pequeno homem)


Segurando firmemente
Com ambas as mãos
Miro a esfera do mundo
e ordeno
sobre tudo

Caminhando imponentemente
Com ambos os pés
Piso cada pedra do mundo
e reino
sobre todos

Mastigando ferozmente
Com toda a boca
Devoro cada alma do mundo
e governo
sobre tudo

Fixando magnamente
Com ambos os olhos
Aniquilo cada vida do mundo
e impero
sobre tudo

No máximo esplendor
Miro tudo o que se vê inferior
Caio do meu pedestal de ouro
Desperto na esfera do mundo
Que sempre julguei minha…

Didacus, 19 de Abril 2007

神と中国

shin to Chuugoku
(shin e a China)


Abriu-se uma porta
Pela qual entrei
Nem hesitei
Apenas admirei
Vislumbrei um paraíso de agulhas
Com pétalas esvoaçantes
Dançando com o vento
Como pequenas fagulhas
Dum grande incêndio…

Para uma pétala subi
E nela esvoacei
E planei
E admirei
Sedas e veludos
Graciosas bailarinas de pano
Como labaredas
A serpentear
Pelo fino e delicado ar…

Para trás ficou outro paraíso
De regras e trabalhos
De Antiguidades soberbas
De Modernidades extremas
Com artistas-anjo
Que se passeiam
Pelos céus do prazer
Fazendo suplicar os seus escravos-senhores
Enquanto estas flutuam…

Neste novo paraíso de agulhas
Perigosas como espadas
Numa visão bela e distinta
Num sol diferente
Que não o sol nascente
Mas nada se esqueceu
Tudo permaneceu
Restando apenas o Japão
E eu…

Didacus, 19 de Abril 2007

Monday, April 16, 2007

A beleza do Homem nas ruas do mundo

Sinto arrepios a cada passo que dou
Sinto calafrios a cada mirada que dou
Sinto rios de lágrimas a cada emoção que sinto

母さん abraça-me
Pois vi o medo
Nas faces que se passeiam
Ou se imobilizam
Nas ruas do mundo

Tenho medo de cada passo a dar
Tenho receio de cada olhar a dar
Sinto-me intimidado cada vez que me emociono

母さん protege-me
Pois vi o desespero
Nas caras que se olham
Ou que miram o vazio
Nas ruas do mundo

Diz-me 母さん...
Porque é que o egocentrismo do Homem
Só sabe batalhar pelo desespero e agonia?
Porque é que a única coisa que sabe
É criar a beleza da ruína e destruição?
Porque é tão estranha a beleza aos seus olhos?
Porque é assim a beleza do Homem?

Didacus, 16 de Abril 2007


Nota:
母さん = kaa-san = mãe

Sunday, April 15, 2007

A bela e o monstro

Conceitos definidos
Estereótipos estranhos, bizarros
Concepções criticadas de forma distinta
São estranhos, são belos, são feios…

Misturam-se as belas e os monstros
Num mundo de perfeições que todos
desejam “inaperfeiçoar”
com um desejo de perfeição

Amores não correspondidos
Devido a distinções injustas, incoerentes
Devido a belezas existentes ou inexistentes
Devido à ignorância do desejo imperfeito de perfeição

As belas desprezam os monstros
Os monstros desesperam pelas belas
As belas procuram e encontram
belas que enchem o seu coração
para mais tarde descobrirem que não passam de monstros
que o seu coração destruirão
Os monstros procuram as belas
mas estes deprimem pelas recusas
guardando amor e rancor
e mais tarde desprezo por estas
por encontrar belas em monstros
e descobrir monstros nas belas
criando um novo amor por quem merece
e ignorar quem não deseja e que agora desconhece

Gira mundo perfeito
Na tua perfeição extrema
Governado por um desejo imperfeito de perfeição

Almas imperfeitas em busca
de um sentimento cada vez mais raro
fazendo coisas inimagináveis
por vezes saindo-lhes bem caro

Contudo há quem mereça
Ou quem faça por merecer
Recebendo a tão esperada bonança
ou pelo menos uma boa recompensa
que promete durar até morrer

Didacus, ?? de Fevereiro 2007

Wednesday, April 11, 2007

Laços da amizade e de sexo/Anorgasmo

Existem alturas na vida em que algo de nós é posto à prova, de uma forma ligeira ou extrema. Tentamos dar o melhor de nós até ao fim e, mesmo no final de tudo, temos sempre uma força que nos apoia e anima, uma força que esteve connosco desde o início…
Existem momentos em que algo de nós é forçado a encarar surpresas ou planos de vida que, ou enaltecem o nosso ego e felicidade, ou que nos rebaixam a todos os níveis mas, ainda assim, temos sempre aquela energia boa, quente e revitalizadora que nos mostra quão grande somos…
Nas alturas de sucessos e fracassos, nos momentos de grandes alegrias ou de tristezas desesperantes, temos sempre aquela força, aquela energia a quem podemos recorrer… Apesar de muitos destacarem o amor como o sentimento de máxima importância, não existe nada mais importante que a amizade, pois ela é a base de tudo…

Existem desejos que se criam ou fantasiam, capazes de mover pessoas e os seus valores. Uma psicoenergia poderosa é libertada e tenta-se conseguir a realização desses mesmos desejos interiores. A libido é satisfeita e tudo se acalma… até a próxima produção de novos desejos e fantasias…
Existem necessidades que se criam desde cedo, uma grande vontade de obtenção de prazer a todo o custo. Um querer obsceno e obsessivo que nunca morre, mas que se acalma quando é apaziguado, um ID freudiano que leva muitos à loucura ou ao desespero por algo simples, sem grandes definições ou teorias…
Através destes desejos e necessidades, o sexo (ou prazer sexual), quando é conseguido da maneira pretendida, torna-se o auge da satisfação, e até da felicidade do ser humano. Com isto, torna-se também em algo fundamental e crucial da vida e, com gosto, pode tornar-se num vício ou numa virtude… ou em ambos…
Mas…

Fica a pergunta: o que acontece quando amizade e sexo se fundem?... O problema é que com esta surgem imensas outras perguntas que são usadas como respostas temporárias, baralhando ideias e possíveis conceitos; mas, tudo se resume a uma simples dedução… a amizade, se for verdadeira, nunca irá terminar e sexo, como acto, nunca será mais do que isso mesmo, com ou sem sentimento…

Há situações que deteoram o nosso ego, a nossa felicidade momentânea ou constante… coisas que suprimem desejos e fantasias, trazendo momentos que se cravam na memória gerando traumas futuros ou deleites e dons soberbos… O tempo é uma dessas coisas, a idade, a era… através dela (ou não), existem falácias biológicas que provocam desgostos que perduram…
Na amizade, qualquer defeito é corrigido, ou então contornado…
No sexo, não se passa bem assim…
Origina-se, então, um ciclo de analogias desastrosas: erros biológicos, insucesso sexual; com ou sem apoio, surge a frustração; baixa auto-estima; conflitos de identidade e repulsa do “eu”; depressão… latência eterna e frustração crescente e avassaladora…

No fim, troca-se um pénis latente ou uma vagina dormente, por uma mão, beijo ou abraço apertado e quente… da amizade…


Didacus, 29 de Março 2007
Agradecimentos:
Quero destacar a ajuda de um grande amigo, pois se não fosse por ele, este texto meio pateta ainda tava por postar^^ por isso, Obrigado Miguel, adoro-te pah^^

Sunday, April 8, 2007

Guide me please…

Locked between worlds
An uncertainty covers me
My mouth is full, stuffed with words
That just won’t break free

Abandoned in a corridor
Between reality and fantasy
A cruel, but honest truth
And a funny lie that attracts me

An ugly, but faithful witch
An angel with fake wings
One with raw truth to teach
Other with enchanting lies as it seems

Both offer their hands to help
Both confusing and charming
I don’t know what I felt
I don’t even know who I was choosing

Feeling a warm touch
Followed by a brutal impact
I acknowledge true reality
Funny, dangerous, but funny…
And always correct…

Didacus, 1 de Abril 2007

Cofres da confissão/De volta ao mundo

Numa parede de silêncio
Eu grito minhas mágoas, meus amores
Eu solto os meus receios e tremores
Eu lanço toda a agonia e todas as dores
Que me impedem de viver

Num casa de horrores
Eu falo todas as angústias e medos
Eu confidencio sentimentos trancados
Eu destaco emoções e momentos privados
Que nem ao mais amado contarei

Parte-se, quebra-se, destrói-se
A minha parede confidente
A minha casa conselheira
Quebrados os cofres de mim
Remeto-me ao recalcamento de tudo

E volta a agonia, o medo, o desespero
De volta ao mundo que me viu nascer

Agora quebrado já nada espero
Resta-me agora viver e enlouquecer…

Didacus, 30 de Março 2007

A era humana/A era das cinzas

Bailando pelo céu vão o vento e as nuvens…
As estrelas, a lua, o sol…
Até seres divinos que nunca vimos
e talvez nunca veremos…
Fico a pensar, será a solidão um mal adquirido?
ou algo inato? Será mesmo um mal?
É como esperar por tudo sem nunca encontrar nada,
Ânsia pelo bom e receio pelo mau
sem nunca encarar nenhum,
uma agonia soberba que torna o tempo num carrasco…

Por mais facadas e trespasses de espadas,
Por mais dores extraordinariamente insuportáveis,
tudo e mais que possamos sentir
no confronto inevitável com a realidade da vida…
Nada! Mesmo nada é mais doloroso e angustiante que a solidão…
E por fim sentimos algo cair por trás
num tom seco, pesado e pavoroso…
…como se fosse uma lápide…
Olhamos…
E deparamo-nos com uma cena divina, macabra, mas divina…
Um anjo ensanguentado,
de túnicas largas, brancas e algumas faixas negras e cinzas meio rasgadas…
de asas magnas e gigantes, com penas de um dégradée brilhante entre o branco e o negro…
de cabelos longos e soltos pelo vento…
de olhos estranhos e fatais de um frio réptil demoníaco…
de unhas longas e afiadas, garras de mentira, ilusão e frustração…
de feridas descaradamente abertas, mostrando um coração transfigurado…
tudo isto ensanguentado…
E reflectimos…
E vemos que o que caiu…
O anjo de cinzas e sangue…
somos nós mesmos…
Perdurando para sempre em cinzas abandonadas
cobertas por uma vida vermelha desperdiçada em pensamentos, emoções e acções em vão,
que talvez delas nunca mais se recordarão,
pois o carrasco tratará de as apagar para sempre
deixando as cinzas para trás
para que delas nasça uma nova vida
criando mais cinzas…

Didacus, 17 de Março 2007

Retrato do Amor/O Claustro

Desenho-te a face com ternura
Pois teus traços são delicados
Desenho-te o cabelo fluido e quente
De uma terna frescura
Fixando-te atentamente

Desenho-te o pescoço
Forte e gracioso
Bonito e bom de se tocar
Dando até vontade de o beijar
E dou por mim a acariciar o papel

Desenho-te a boca
De linhas suaves e lindas
Que anseiam, desejam e suplicam
Beijos divinos e de gente louca
Capaz de amar durante mil e uma noites

Miro teus olhos de cristal
Mais brilhantes que diamantes
E no papel desenho-te a alma
Em pormenores poucos, mas clarividentes
Que apesar de gelados, deixam-me quente

Tento, ao desenhar-te,
Prender teu corpo e alma no papel
Essas virtudes e vícios
De um magno sabor a mel
Que enclausuraram a minha alma…
Para sempre…
Nesses teus espelhos colossais
Que tanto quis prender ao retratar…

Didacus, 4 de Abril 2007

Saturday, April 7, 2007

夢の世界

Yume no sekai
(Mundo dos sonhos)


Resting in a walking world
In peace with my slumber
With drowsy eyes I wake

Sleeping in a floating world
In harmony with the sky
With numb hands I try to fly

Perfect realms…
Perfect reigns…
Strange and Extreme
but perfect…
A something that NOBODY can control…
Not even the higher one

Let me just get…
in…

Didacus, 4 de Abril 2007

O silêncio

Tique… taque… tique… taque…
E o momento é quebrado…

É estranho pensar em algo quase impossível…

Tique… taque…

Os minutos contam a hora final…
Em que tudo aquilo que vai acontecer nunca mais acontece

Tique… taque…
“Nunca digas nunca…”

Tenta-se indicar uma leitura sem som
Mas o relógio teima em quebrar o momento

Que eu quero…

Uma pequenina sala onde se isola uma única coisa
Algo que não faz tanto barulho como o relógio…

Tique… taque…

Isolada se vê só
A solidão abandonada…
Num momento que tanto o relógio, como tudo, o podem quebrar
E esta liberta-se num pranto…
Que nem o silêncio consegue ouvir ou consolar…

Didacus, 4 de Abril 2007

Wednesday, April 4, 2007

Lista de requisitos e perguntas/os idiotas imutáveis e os de bom senso

Pensa-se muito no futuro, sem qualquer noção do presente…
Fazem-se planos para todo o sempre, visualizando o tempo de uma vida, todo agendado e planeado…
Perde-se o conceito de inesperado até que este embate contra nós tão fortemente que caímos redondos no chão e revoltamo-nos porque nada do que foi planeado aconteceu como previsto… A partir daqui deveríamos pensar em prever algo tendo em conta agora o inesperado, mas em vez disso esquecemo-nos do embate anterior e voltamos a planear tudo de novo até levarmos uma bofetada dos momentos inesperados e indesejáveis…
É neste momento que se criam os idiotas imutáveis e os de bom-senso…
Mas pensa-se… será que deveríamos fazer tantos planos sem pensar sequer no presente? Este é o tipo de pergunta feita pelos de bom-senso e a que deveria ser feita pelos idiotas imutáveis…
Outra coisa que se perde com isto é a noção de viver com os pés assentes na terra… Muitos acham que para se viver com os pés assentes na terra é serem o mais realistas e conformistas possíveis… Outros pensam que é viver de acordo com as suas expectativas, sem esquecer o factor realidade inoportuna e inesperada, estando assim preparados tanto para bons como maus acontecimentos…
Mas ainda assim questionamos… o que é afinal viver? É mantermo-nos com vida? É não nos deixarmos morrer? É sentir as emoções e sentimentos ao máximo? É conseguir desenvolver-nos ao máximo e atingir o sucesso pretendido? É crer que somos o mundo para todos, fazendo de tudo para que atenções se foquem em nós? É fazer crescer sentimentos em nós e nos outros sem nada ou com tudo a perder?... No fundo é tudo isso, no fundo viver é fazer notar a nossa presença através da dependência de atenções, sentimentos, emoções, objectivos, sucessos, insucessos, motivações conhecidas, reconhecidas ou absurdas… No fundo é dizer “eu estou aqui, quer olhem para mim ou não, quer seja a mais famosa das estrelas ou o mais triste dos sem-abrigo, eu estou aqui quer eu queira ou não”… Matar, morrer, viver… São tudo marcas que mostram que alguém está (ou esteve) vivo e fazer destacar essa marca, isso sim é saber viver, seja qual for o estilo de vida que se tome…
Agora pergunto-me… que acharão os idiotas imutáveis e os de bom-senso?...


Didacus, 13 de Março 2007

怪獣の思考

Kaijuu no shikou
(pensamentos de um monstro)


I’m listening to my head
It’s ready to explode
I’m calm, feeling the pain in me
Wanna relax, wanna control
No more I want to be a fool

Thinking of happy moments
Recalling upon everything that gave me joy
I listen, I see, I wonder
The world walks forward in front of me
I stick in my corner

Drink up the sweet tears of my heart
While I release my pain
Making all my sorrows free
Like roaming monsters in this world
Ruling my feelings and my mind

I wanna do magic
Enchanting things away
Turning sweet things sour
And bitter ones into nothing
As the moonlight grows stronger

Making me stronger
Making me a dreamer
Dreaming away realities
That just won’t stay
In my world of dreams

I look into the dark
I wonder, I pray
I fall into nothingness
Breaking thoughts and feelings
And meditating as I float

Arguing with myself
Beating me all up
I can’t decide anything
Almost screwing things up
And up it goes, until I forget

Forgiving, forgetting
Forgotten, I got them
In me I have them
My deceiving eyes in which I trust the most
My words are illusions in which no one can trust

I pray to God, I pray to the devil
Waiting for answers to questions unasked
Despairing for things I’ll never get
Acting like others expect me to be
Being the self the others wanna see…


Didacus, 2 & 3 de Março 2007

O tempo é um mestre espadachim

Fazendo malabarismos com memórias
Recortando momentos do passado
Trespassando acontecimentos…
…desfazendo-os em sangue

Brincando com a gadanha da morte
Roubando a espada à justiça
Matando momentos em vão
Que ninguém quer deixar morrer

Mais rápido que uma flecha
Mais lento que um caracol
Voando, planando, flutuando sobre tudo
Cresce, mata e morre e torna a viver

Forçando o azar de uns
Interiorizando a sorte de outros
Entre a espada e a parede nos põe
Com pressão, razão e verdade

É um pássaro que ninguém consegue apanhar
É um relâmpago num dia de sol
É mais pequeno na nossa mão
É maior que algo colossal

Pensa-se muito e muito se planeia
Vai-se e vem-se num repente
Tenta-se sempre, mas sem nunca o controlar
Construindo ou destruindo a vida à gente…


Didacus, 19 de Março 2007

A alma da escrita

Complicado escrever o que não se sente, especialmente quando temos vontade de escrever e sentir… sentimo-nos tolos, ignorantes, sentimos frustração, desilusão, mas sentimos sempre algo, … mesmo aquilo que não queremos sentir…
Ainda assim se pensa no que escrever… que tal inventar? Porque não citar ou transcrever?…
Plagiar?
Que tal deixar a folha em branco até se encontrar sentimentos que ansiamos?
Nada se pede, mas tudo se quer…
Todos capazes de exigir com ordens incontornáveis, mas todos ignorantes no que toca a um simples pedido, mas… e o sentimento? E a escrita? E o mundo de palavras cobertas de imaginação e coração?
Ninguém se lembra destes mundos de termos, orações, contradições, ironias e sarcasmos em metáforas e hipérboles fabulosas, tudo reduzido a estes pequenos caracteres com carácter…
Apenas e só os mestres das letras são capazes de os criar, mas mesmo estes se vêem em bloqueio total quando a sua musa lhes falta, quando não há simplesmente sentimento a transmitir através da sua arte das letras…
E com tais pensamentos e com alguma confusão, nos deparamos que temos escrita… ainda que seja com sentimento de frustração…


Didacus, 6 de Fevereiro 2007

Tuesday, April 3, 2007

バベル & 心

Baberu & Kokoro
(Babel & Coração)

De tudo o que faço
De tudo o que digo
Não é algo que se compreenda
Um misto de loucura e realidade
Não é algo para ser compreendido
Não é algo que quero que compreendam
As bocas falam idiomas distintos
As acções agem em movimentos distintos
A distinção é algo próprio de tudo
A distinção é algo necessário
Não quero compreensão
Quero distinção
Quero aceitação
Não quero falar um só idioma com o mundo
Não quero que o mundo fale só um idioma
Quero um idioma em que o mundo se entenda
Num mundo onde se grita por igualdade e paz
Num mundo onde se deseja por distinção e aceitação
Só o chaos nele pode viver
Julgam-se sentimentos em situações
Ditam-se sentenças sobre ódios e amores
Aconselham-se loucuras aos ingénuos
Fala-se sobre um tudo e um nada que todos e ninguém compreende
Vira-se o estranho no normal
Acha-se normal o ser estranho
E a loucura torna-se regra-mor
Numa bíblia apocalíptica
Num armaguedão de explicações e desentendimentos
Não vivemos numa esfera em torno de muitas outras
Mas numa torre onde os destemidos a sobem ao ponto mais alto
E os ingénuos caem dela a pique
Numa torre onde nem mesmo o céu chega a ser o limite
Onde os excessos são carência e a carência é ingenuidade ou burrice
Vivemos na torre do desespero de querer ser mais do que nós e tudo
Dando ouvidos, quase nunca, a um único idioma que apenas, quem o sente, o compreende, o distingue e o aceita simultaneamente


Didacus, ?? de Fevereiro 2007

カオスの色/神のスタチュー

Kaosu no iro/Kami no sutachuu
(Cores do chaos/Estátua de Kami)

Caminhando pelo o mundo se vê
Imperfeições incorrigíveis
Distorções reais
Verdadeiras mentiras
Duma dimensão perdida algures no espaço
Um som eterno que corre
e percorre no sangue
que mata, que nasce, que cria
que renasce e conta tudo o que queremos ouvir
Surdos, impávidos, escutamos o silêncio do chaos
O azul revolve-se no azul
E deles surge o vermelho e o negro
O castanho envolve-se com o verde
E deles origina o encarnado e o preto
Gira mais um dia sobre o sol nocturno
E tudo o que resta é só nada
revolvido e envolvido com tudo
O mundo acaba
E Kami permanece surdo, impávido…


Didacus, ?? de Dezembro 2006




Notas:

神 = Kami = Deus

Monday, April 2, 2007

雨の色/思いでの写真

Ame no Iro/Omoide no Shashin
(Cores da Chuva/Fotografias de Memórias)


Sometimes in life
I recall upon the moments I’ve spent with you
Great memories of joy and love too
I try not to forget every single thing I’ve done ‘till now

Everything I’ve done with you
Every time I’ve lived with you
Everything I own to all of you

Feeling the rain on my skin
Every little drop
I remember all things that you try to taught
Taking pictures in my mind
of the times we fought
together

Everything I feel from you
Every colour of the rain
Every moment with you, for me is forever

Even knowing the future will tear us all apart
I know that my heart will keep you forever
Whether you’re near or far
We’ll be forever together,
like it or not…


Didacus, 19 de Dezembro 2006




Este poema é dedicado a todas as pessoas com quem tive o prazer de conviver durante mais de 4 anos... pessoas com quem partilhei problemas, alegrias e maluqueiras e vice-versa... pessoas que mudaram muito a minha forma de pensar e sentir as coisas, que me ajudaram a tornar na pessoa que sou hoje e com orgulho :) Malu, Mateli, Ny-chan, Sónia, Xpañol, Kabulas, Baratuxa, Bruna, Pipa e todos os outros que, mesmo que nunca mais possamos ter contacto, ficarão para sempre bem gravados/cravados no meu coração ;) Adoro-vos ppl... apesar de não serem do meu sangue, são a minha família da vida^^